quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Nuts
There's a narrow view
Some shadows and mist.
A few thoughtful minds
and lots os squirrells.
They carry lots of nuts around and around
Scrambling and twirling
Looking for a place to keep them safe...
These so called treasures.
I like the squirrells
Sometimes i wish i were one of them
Living just to gather nuts
Running trough the meadows
And watching the setting sun.
But i'm not.
I'm a wanderer is this nut world.
World of depleted uranium bombs.
Destructive flying machines.
Exploitation
Mass murder and stock market
Obama and Mcain
Sorrow and pain.
My world is nuts
Aethereal
Sofisticated, virtual and electronic.
Marketing and self-image glorification.
Movie stars and death shots.
Inside the fogs of wars
Or epidemics financials
Hunger, despair and suffering dominate.
Inside the fogs of wars
The little squirrell find no way
To see who he really is.
Onto this madness
Where did he dug his treasures?
Onto this sadness
How can i find myself?
There are only shadows and mist
And a narrow view.
Few thoughtful minds
And a feeling of strong resist.
domingo, 28 de setembro de 2008
Alasão-rei
De tão distraído quase engoliu o desgosto.
De gosto pouco sabe,
alasão-rei quase perde a majestade
e de capim-mau-gosto ja basta o tédio
e a dor de tolo carecendo remédio
Enfermo do ócio atravancado de desilusões
vagos pensamentos e suaves sensações
alazon-roy vive na espera
Só de espreita.
sábado, 27 de setembro de 2008
disprezzo
Escarrei o lado esquerdo de minh'alma.
Senti o vazio da pureza
E o conforto da desilusão
Esboçados na amargura contida
Escondida, ali, no canto do meu coração
Sentada ao lado do Ventrículo Direito
Entoando uma ciranda para as hemáceas
E arborizando toda genealogia
De fantasias reprimidas
E quimeras despedaçadas.
sábado, 13 de setembro de 2008
coberto pelo manto das vontades
recheado de sonhos fashion.
Sou o poeta das almas perdidas
nas vitrines dos encantos.
Eu choro a dor dos lunáticos
e desiludidos, filhos do amanhã.
Eu venho em guerra lutando pela paz e pelo futuro.
Não pertenço a este tempo e nem a este espaço
Sou vaso feito de barro celeste ou talvez do agreste.
Meus inimigos são os cem nomes
que se escondem da evidência e no controle.
Eu sou o joelho cansado de Dorotéia.
domingo, 6 de julho de 2008
De sua cabeça
Se você deixou crescer
De um ano pra cá
Eu desconfio dos cabelos longos
Eu desconfio de sua cabeça
Eu desconfio no sentido estrito
Eu desconfio no sentido lato
Eu desconfio dos cabelos longos
Eu desconfio é do diabo a quatro
Do diabo a quatro...
Cabelos Longos - Alceu Valença
Tanta riqueza inserida
Por tanta gente orgulhosa,
Se julgando poderosa
No curto espaço da vida;
Oh! que idéia perdida.
Oh! que mente tão errada,
Dessa gente que enlevada
Nessa fingida grandeza
Junta montões de riqueza,
E tudo vem a ser nada.
Vemos um rico pomposo
Afetando gravidade,
Ali só reina bondade,
Nesse mortal orgulhoso,
Quer se fazer caprichoso,
Vive de venta inchada,
Sua cara empantufada,
Só apresenta denodos
Tem esses inchaços todos
E tudo vem a ser nada.
Trabalha o homem, peleja
Mesmo a ponto de morrer,
É somente para ter,
Que ele se esmoreja,
As vezes chove e troveja
E ele nessa enredada
À lama, ao sol, ao chuveiro,
Ajuntam muito dinheiro,
E tudo vem a ser nada.
Temos palácios pomposos
Dos grandes imperadores,
Ministros e senadores,
E mais vultos majestosos;
Temos papas virtuosos
De uma vida regrada,
Temos também a espada
De soberbos generais,
Comandantes, Marechais,
E tudo vem a ser nada.
Honra, grandezas, brasões;
Entusiasmos, bondades;
São completas vaidades
São perfeitas ilusões,
Argumentos, discussões;
Algazarra, palavrada,
Sinagoga, caçoada,
Murmúrios, tricas, censura,
Muito tem a criatura,
E tudo vem a ser nada.
O homem se julga honrado,
Repleto de garantia,
De brasões e fidalguia
É ele considerado,
Mas, quanto está enganado
Nesta ilusória pousada
Cá nesta breve morada.
Não vemos nada imortal
Temos um ponto final;
E tudo vem a ser nada.
Silvino Pirauá
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Comumente é assim

Cada um ao nascer
traz sua dose de amor,
mas os empregos,
o dinheiro,
tudo isso,
nos resseca o solo do coração.
Sobre o coração levamos o corpo,
sobre o corpo a camisa,
mas isto é pouco.
Alguém
imbecilmente
inventou os punhos
e sobre os peitos
fez correr o amido de engomar.
Quando velhos se arrependem.
A mulher se pinta.
O homem faz ginástica
pelo sistema Muller.
Mas é tarde.
A pele enche-se de rugas.
O amor floresce,
floresce,
e depois desfolha.
Vladimir Mayakovsky
(1893-1930)
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Governo
Henry David Thoreau
domingo, 8 de junho de 2008
quinta-feira, 29 de maio de 2008
The times
In fact we're chasing our own tales in the dark of a distorced labirynth that we built...
Our time is gonna come...hope it comes today.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Mulas! Passemos adiante a nossa muleza.
Mula de Deus – Hilda Hilst
I
Para fazer sorrir o Mais Formoso
Alta, dourada, me pensei.
Não esta pardacim, o pêlo fosco.
Pois há de rir-se de mim o Precioso
Para fazer sorrir O Mais Formoso
Lavei com a língua os cascos
E as feridas. Sangüinolenta e viva
Esta do dorso
A cada dia se abre carmesim.
Se me vires, Senhor, perdoa ainda
É raro, em sendo mula, ter a chaga
E ao mesmo tempo
Aparência de limpa partitura
E perfume e frescor de terra arada.
II
Há nojosos olhares sobre mim
Um rei que passa
E cidadãos do reino, príncipes do efêmero.
Agora é só de dor o flanco trêmulo
Há nojosos olhares. Rústicos senhores.
Açoites, fardos, voezes, alvoroço.
E há de mim um sentir delicioso.
Um tempo onde fui ave, um outro
Onde fui tenra e haste.
Há alguém que foi luz e escureceu
E dementado foi humano e cálido.
Há alguém que foi pai.E era meu.
III
Escrituras de pena (diria mais, de pêlos)
De infinita tristura, encerrada em si mesma.
Quem há de ouvir umas canções de mula?
Até das pedras lhes ouço a desventura.
Até dos porcos lhes ouço o cantochão
E por que não de ti, poeta-mula?
E ornejos de outras mulas se juntaram aos meus.
Escoiceando os ares, espumando de gozo
Assustando mercado e mercadores-
Alegrou-se de mim o coração.
IV
Um dia fui o ano de Apuléius.
Depois fui Lucius, Lucas, fui Roxana.
Fui mãe e meretriz e na Betânia
Toquei o intocado e vi Jeshua
(Ele tocou-me o ombro aquele Jeshua pálido).
Um tempo fui ninguém: sussuro, hálito.
Alguém passou, diziam? Ninguém, ninguém.
Agora sou escombros de um alguém.
Só caminhada e estio. Carrego fardos
Aves, patos, esses que vão morrer.
Iguais a mim também.
V
Ditoso amor de mula, Te ouvir murmurando
Ó Amoroso! Ditoso amor de mim!
Poder amar a Ti com este corpo nojoso
Este de mim, pulsante de outras vidas
Mas tão triste e batido, tão crespo.
De espessura e de feridas.
Ditoso amor de mim! Tão pressuroso
De amar! (E de deitar-se ao pé
De tuas alturas). Corpo acanhado de mula.
Este de mim, mas tão festivo e doce.
Neste Agora
Porque banhado de ti, ó Formosura.
VI
Tu que me vês
Guarda de mim o olhar.
Guarda-me o flanco.
Há de custar tão pouco
Guardar o nada
E seus resíduos ocos.
Orelhas, ventas
O passo apressado sob o jugo
Casco, subidas
Isso é tudo de mim
Mas é tão pouco...
Tu que me vês
Guarda de mim, apenas
Minha demasiada coitadez.
VII
Que eu morra junto ao rio.
O caudaloso frescor das águas claras
Sobre o pêlo e as chagas.
Que eu morra olhando os céus:
Mula que sou, esse impossível
Posso pedir a Deus. E entendendo nada
Como os homens da Terra.
Como as mulas de Deus.
VIII
Palha
Trapos
Uma só vez o musgo das fontes
O indizível casqueando o nada.
Essa sou eu.
Poeta e mula.
(Aunque pueda parecer
Que del poeta es locura).
terça-feira, 20 de maio de 2008
Honra-me Grande Face
Traduz me passo
De maneira que eu nunca me perceba.
Confunde estas linhas que te escrevo
Como se um brejeiro escoliasta
Resolvesse
Brincar a morte de seu próprio texto.
Dá-me pobreza e fealdade e medo.
E desterro de todas as respostas
Que dariam luz
A meu eterno entedimento cego.
Dá-me tristes joelhos.
Para que eu possa fincá-los num mínimo de terra
E ali permanecer o teu mais esquecido prisioneiro.
Dá-me mudez. E andar desordenado. Nenhum cão.
Tu sabes que amo os animais
Por isso me sentiria aliviado. E de ti, Sem Nome
Não desejo alívio. Apenas estreitez e fardo.
Talvez assim te encantes de tão farta nudez.
Talvez assim me ames: desnudo até o osso
Igual a um morto.
(Hilda Hilst, 11 de setembro de 1994)
domingo, 18 de maio de 2008
A paz
A alva pomba da paz voou aos céus serenos.
Embaixo homens se agitavam
entre gritos e tiros.
Paquidermes mecânicos
sulcavam fossos
rasgando trincheiras.
Cansada de librar-se nas alturas
a pomba da paz
buscou na terra um pouso
e flechou
num vôo reto
rumo a uma coisa imóvel
hirta e muda no raso campo verde.
E pousou
calma e triste
sobre as mãos cruzadas de um cadáver.
Menotti Del Picchia
(1892-1988)
Deriva
terça-feira, 29 de abril de 2008
Nas horas de insônia eu penso
Em acontecimentos e fatos
Besteiras, tolices e nos chatos.
Nas horas de insônia eu penso.
Penso e penso mais
Até o cansaço ser mais
Até o sono ser mais
E o sonho ser meu.
O sonho é um menino
Correndo pelos campos
Sonhando que é menino
correndo pelos campos.
Corre menino, corre!
Uma vez me disseram que eu tinha luz
Eu pensei que isso podia ser verdade.
Hoje estou no escuro, cego
A claridade também é escuro.
Luz demais cega.
Você já veio aqui antes
Já me chamou por outros nomes.
Corremos pelos campos.
Fomos meninos e senhores.
Sonhávamos ser fortes
mesmo sendo fracos.
Eram fortes nossos devaneios.
Ainda são fortes, como o vento a soprar
Como a semente a nascer na terra infértil.
Ou o sorriso da criança faminta.
Eu ainda sonho.
E nas horas de insônia penso.
Versos
Em versos falo
E de dois estalos,
Me faço três
E então vários.
Me separo das coisas
Estando nelas.
E sendo eu muitos,
Sou ninguém.
Não tenho nome
Sou infante menino
Sonho e dor
Esperando a eternidade
No escuro do abandono.
Eu sempre falo em versos
Versos, falas e fatos
Perdidos no tempo-espaço
Além de mim e você.
Eu sou você ontem, hoje e amanhã.
Como dizia o poeta
Quem já passou por essa vida e não viveu
pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu,
pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu
Quem nunca curtiu uma paixão
nunca vai ter nada, não
Não há mal pior do que a descrença,
mesmo o amor que não compensa
é melhor que a solidão
Abre os teus braços,
meu irmão, deixa cair,
pra que somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
de quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração
esse não vai ter perdão
Quem nunca curtiu uma paixão
nunca vai ter nada, não...
sábado, 26 de abril de 2008
Raul Seixas
Composição: Raul Seixas
Todo homem tem
pensar o que quiser
Todo homem tem direito
de amar a quem quiser
Todo homem tem direito
de viver como quiser
Todo homem tem direito
de morrer quando quiser
Direito de viver
viajar sem passarporte
Direito de pensar
de dizer e de escrever
Direito de viver pela sua própria lei
Direito de pensar de dizer e de escrever
Direito de amar,
Como e com quem ele quiser
A lei do forte
Essa é a nossa lei e a alegria do mundo
Faz o que tu queres ah de ser tudo da lei
Fazes isso e nenhum outro dirá não
Pois não existe Deus se nao o homem
Todo o homem tem o direito de viver a não ser pela sua própria lei
Da maneira que ele quer viver
De trabalhar como quiser e quando quiser
De brincar como quiser
Todo homem tem direito de descansar como quiser
De morrer como quiser
O homem tem direito de amar como ele quiser
De beber o que ele quiser
De viver aonde quiser
De mover-se pela face do planeta livremente sem passaportes
Porque o planeta é dele, o planeta é nosso.
O homem tem direito de pensar o que ele quiser, de escrever o que ele quiser.
De desenhar, de pintar, de cantar, de compor o que ele quiser
Todo homem tem o direito de vestir-se da maneira que ele quiser
O homem tem o direito de amar como ele quiser, tomai vossa sede de amor,
como quiseres e com quem quiseres
Há de ser tudo da lei
E o homem tem direito de matar todos aqueles que contrariarem a esses direitos
O amor é a lei, mas amor sob vontade
Os escravos servirão
Viva a sociedade alternativa
Viva Viva
Direito de viver, viajar sem passaporte
Direito de pensar de dizer e de escrever
Direito de viver pela sua própria lei
Direito de pensar de dizer e de escrever
Direito de amar, como e com quem ele quiser
Todo homem tem direito
de pensar o que quiser
Todo homem tem direito
de amar a quem quiser
Todo homem tem direito
de viver como quiser
Todo homem tem direito
de morrer quando quiser
Quase tudo ou quase nada?
Tudo pra você significa o que?
Aquilo que você pode ter ou ver os seus sonhos realizados?
A felicidade atrás da porta ou quem sabe no beijo querido dado na porta de casa, logo pela manhã?
E nada, o que lhe parece? Vazio despropósito sem destino e sem existência? Nada lhe preenche, nada te ocupa, nada lhe cabe.
Naquela hora em que você quis sumir, você pensou no nada?
Você tem dúvidas e tem respostas pra quase tudo ou quase nada?
Bem vindo ao mundo dos paradoxos e dos nexos.
Bem vindo ao mundo real