Todo dia 31 de dezembro desse calendário patético - conhecido como calendário gregoriano- bilhões de seres humanos celebram a passagem de um ano. Ano cristão, ano católico, ano capitalista, ano simbólico. Ano inútil.
A escolha de um ano , de um calendário, é algo totalmente arbitrário. O sol não muda de posição porque escolhemos um ano. As estrelas não se abalam porque um novo ano se passou. Jesus não vai renascer simplesmente porque arrancamos uma folha do calendário.
E no entanto, tudo se passa nessa noite. Todos os sentimentos mais profundos de redenção, renovação, avivamento e compaixão se manifestam neste fim de ano e neste período de festas cristãs.
Não acredito em nenhuma destas festas, são repetições da mesma tentativa católica hipócrita de reestabelecer o conceito da divindade manifestada na figura do cristo e no renascimento da esperança.
Esta esperança é vazia. Surge no momento da festa e desaparece tão logo a rotina do dia-a-dia das pessoas que trabalham e lutam pelo dinheiro, lhes retoma a atenção.
As pessoas que sustentam esse ritual são autômatas, desatentas ao raciocínio crítico da tradição e da escolha de hábitos condizentes com a verdade de seu tempo.
Cada tempo possui um conhecimento e uma certa dose de verdade alcançada pela pesquisa e pelo critério. No entanto, muitos seres humanos, coniventes com essas tradições submergem no apocalipse da submissão, à senhores ocultos nas máscaras do poder e de mídias negligentes.
O tempo passa, o tempo voa e cobra aqueles que se afinam diante da realidade implacável. Muitas pessoas preferem a obscuridade da ignorância passiva e do contentamento pago ao desafio incessante do conhecimento vivo e da realidade nua.
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O ser humano que vive sob o signo da passividade e da inutilidade, que se manifesta pela falta de vontade e de coragem de lutar pela mudança e pelo fortalecimento do espírito de aventura, é tão inútil quanto a sua credulidade.
Hoje, como ontem, o sol vai nascer, as ondas do mar vão quebrar na praia e os pássaros vão cantar no alvorescer. E não há fogos, champagnes ou crenças inúteis, que sejam capazes de justificar e potencializar as coisas tão importantes e tão capazes quanto àquelas que existem por contra própria e sem justificativa.
Nào há cristo, nem papa e muito menos messias algum que salvará os homens de sua própria incompetência.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
domingo, 10 de maio de 2009
Burocracia: Grande esforço coletivo engengrado em instituições e recintos públicos afim de enrolar o máximo possível a dinâmica das relações humanas flexíveis. Rigidez cadavérica do pensamento e da liberdade. Formol de atolamento, é aplicado em doses cavalares na mente das pessoas.Tal como erva daninha, cresce mais que chuchu na horta.
terça-feira, 14 de abril de 2009
Falta de sentido
Hoje decidi não fazer sentido
Bicicleta betoneira pirulito.
Faço um batuque de cacos de vidro
E tomo um gole de percevejos.
Gato saliva mosquito
Palavras escritas num grito
Na minha total falta de sentido.
Esqueci o pente dentro do copo de vozes.
Saltei de banda para a casa do vizinho
E sozinho resolvi não fazer sentido.
Pardal preto
Passe lá em casa num impulso desses
Vamos comer bolo de lama e tomar chá de pêssego
Na nossa total falta de sentido.
Bicicleta betoneira pirulito.
Faço um batuque de cacos de vidro
E tomo um gole de percevejos.
Gato saliva mosquito
Palavras escritas num grito
Na minha total falta de sentido.
Esqueci o pente dentro do copo de vozes.
Saltei de banda para a casa do vizinho
E sozinho resolvi não fazer sentido.
Pardal preto
Passe lá em casa num impulso desses
Vamos comer bolo de lama e tomar chá de pêssego
Na nossa total falta de sentido.
Vendendo Cabeças
Vendo minha cabeça.
Muito barata. Preço de banana.
Razoavelmente usada, pensou demais. Gastou-se sem encontrar razão.
O pagamento não precisa ser à vista. Afinal, não há pressa alguma em se vender algo esgotado.
Muito barata. Preço de banana.
Razoavelmente usada, pensou demais. Gastou-se sem encontrar razão.
O pagamento não precisa ser à vista. Afinal, não há pressa alguma em se vender algo esgotado.
domingo, 12 de abril de 2009
Canto de Ossanha - Vinicius de Moraes
-"O canto da mais difícil
E mais misteriosa das deusas
Do candomblé baiano
Aquela que sabe tudo
Sobre as ervas
Sobre a alquimia do amor"
Deaaá! Deeerê! Deaaá!
O homem que diz "dou"
Não dá!
Porque quem dá mesmo
Não diz!
O homem que diz "vou"
Não vai!
Porque quando foi
Já não quis!
O homem que diz "sou"
Não é!
Porque quem é mesmo "é"
Não sou!
O homem que diz "tou"
Não tá
Porque ninguém tá
Quando quer
Coitado do homem que cai
No canto de Ossanha
Traidor!
Coitado do homem que vai
Atrás de mandinga de amor...
Vai! Vai! Vai! Vai!
Não Vou!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Não Vou!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Não Vou!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Não Vou!...
Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor
Que passou
Não!
Eu só vou se for prá ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor...
Amigo sinhô
Saravá
Xangô me mandou lhe dizer
Se é canto de Ossanha
Não vá!
Que muito vai se arrepender
Pergunte pr'o seu Orixá
O amor só é bom se doer
Pergunte pr'o seu Orixá
O amor só é bom se doer...
Vai! Vai! Vai! Vai!
Amar!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Sofrer!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Chorar!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Dizer!...
Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor
Que passou
Não!
Eu só vou se for prá ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor...
Vai! Vai! Vai! Vai!
Amar!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Sofrer!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Chorar!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Dizer!
E mais misteriosa das deusas
Do candomblé baiano
Aquela que sabe tudo
Sobre as ervas
Sobre a alquimia do amor"
Deaaá! Deeerê! Deaaá!
O homem que diz "dou"
Não dá!
Porque quem dá mesmo
Não diz!
O homem que diz "vou"
Não vai!
Porque quando foi
Já não quis!
O homem que diz "sou"
Não é!
Porque quem é mesmo "é"
Não sou!
O homem que diz "tou"
Não tá
Porque ninguém tá
Quando quer
Coitado do homem que cai
No canto de Ossanha
Traidor!
Coitado do homem que vai
Atrás de mandinga de amor...
Vai! Vai! Vai! Vai!
Não Vou!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Não Vou!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Não Vou!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Não Vou!...
Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor
Que passou
Não!
Eu só vou se for prá ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor...
Amigo sinhô
Saravá
Xangô me mandou lhe dizer
Se é canto de Ossanha
Não vá!
Que muito vai se arrepender
Pergunte pr'o seu Orixá
O amor só é bom se doer
Pergunte pr'o seu Orixá
O amor só é bom se doer...
Vai! Vai! Vai! Vai!
Amar!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Sofrer!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Chorar!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Dizer!...
Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor
Que passou
Não!
Eu só vou se for prá ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor...
Vai! Vai! Vai! Vai!
Amar!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Sofrer!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Chorar!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Dizer!
quinta-feira, 2 de abril de 2009
O que será tudo isso
nos versos vagos de um copo cheio eu fiz um ensaio
rasguei um pouco de meus sentimentos tolos
roubei uma duzia de trocados e alguns poucos beijos
e no despertar de minha fúria inconsequente
escrevi algumas tolices em um papel de seda.
Não me sobraram momentos para descrever
O desdito do meu desprazer.
O copo vazio agora jaz desfeito.
O desejo de mais um pouco de espírito
Inflama o furo em meu peito.
Essa vida de copo meio cheio meio vazio
É vã filosofia de boteco.
Não disfarça o meu desejo de sentir
Pouco menos a minha ânsia de carícias
E um pleno desejo de te completar.
rasguei um pouco de meus sentimentos tolos
roubei uma duzia de trocados e alguns poucos beijos
e no despertar de minha fúria inconsequente
escrevi algumas tolices em um papel de seda.
Não me sobraram momentos para descrever
O desdito do meu desprazer.
O copo vazio agora jaz desfeito.
O desejo de mais um pouco de espírito
Inflama o furo em meu peito.
Essa vida de copo meio cheio meio vazio
É vã filosofia de boteco.
Não disfarça o meu desejo de sentir
Pouco menos a minha ânsia de carícias
E um pleno desejo de te completar.
terça-feira, 17 de março de 2009
Ladeira da Preguiça
Não sabia que hoje era aniversário dela, mas como fiquei sabendo resolvi fazer uma pequena homenagem e postar um video...Canta demais essa mulher!
http://www.youtube.com/watch?v=YL-TSspMl1o
http://www.youtube.com/watch?v=YL-TSspMl1o
Pouco
Pouco
Tudo é pouco hoje
O tempo é pouco
O espaço é pouco
O dinheiro é pouco
Tampouco o sonho.
Nesses poucos
Procuro somar os que encontro
Para quem sabe de muitos poucos
Fazer alguns muitos.
Junto um pouco de paciência
Um punhadinho de emoção
Duas pitadas de consciência
E um pingo de razão.
Aí me sobra um tempo
Pra deixar de ser tonto
E achar que o pouco que me falta
Está naquilo que não sou.
Tudo é pouco hoje
O tempo é pouco
O espaço é pouco
O dinheiro é pouco
Tampouco o sonho.
Nesses poucos
Procuro somar os que encontro
Para quem sabe de muitos poucos
Fazer alguns muitos.
Junto um pouco de paciência
Um punhadinho de emoção
Duas pitadas de consciência
E um pingo de razão.
Aí me sobra um tempo
Pra deixar de ser tonto
E achar que o pouco que me falta
Está naquilo que não sou.
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