quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Ano Velho, novo, whatever

Todo dia 31 de dezembro desse calendário patético - conhecido como calendário gregoriano- bilhões de seres humanos celebram a passagem de um ano. Ano cristão, ano católico, ano capitalista, ano simbólico. Ano inútil.
A escolha de um ano , de um calendário, é algo totalmente arbitrário. O sol não muda de posição porque escolhemos um ano. As estrelas não se abalam porque um novo ano se passou. Jesus não vai renascer simplesmente porque arrancamos uma folha do calendário.
E no entanto, tudo se passa nessa noite. Todos os sentimentos mais profundos de redenção, renovação, avivamento e compaixão se manifestam neste fim de ano e neste período de festas cristãs.
Não acredito em nenhuma destas festas, são repetições da mesma tentativa católica hipócrita de reestabelecer o conceito da divindade manifestada na figura do cristo e no renascimento da esperança.
Esta esperança é vazia. Surge no momento da festa e desaparece tão logo a rotina do dia-a-dia das pessoas que trabalham e lutam pelo dinheiro, lhes retoma a atenção.
As pessoas que sustentam esse ritual são autômatas, desatentas ao raciocínio crítico da tradição e da escolha de hábitos condizentes com a verdade de seu tempo.
Cada tempo possui um conhecimento e uma certa dose de verdade alcançada pela pesquisa e pelo critério. No entanto, muitos seres humanos, coniventes com essas tradições submergem no apocalipse da submissão, à senhores ocultos nas máscaras do poder e de mídias negligentes.
O tempo passa, o tempo voa e cobra aqueles que se afinam diante da realidade implacável. Muitas pessoas preferem a obscuridade da ignorância passiva e do contentamento pago ao desafio incessante do conhecimento vivo e da realidade nua.
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O ser humano que vive sob o signo da passividade e da inutilidade, que se manifesta pela falta de vontade e de coragem de lutar pela mudança e pelo fortalecimento do espírito de aventura, é tão inútil quanto a sua credulidade.
Hoje, como ontem, o sol vai nascer, as ondas do mar vão quebrar na praia e os pássaros vão cantar no alvorescer. E não há fogos, champagnes ou crenças inúteis, que sejam capazes de justificar e potencializar as coisas tão importantes e tão capazes quanto àquelas que existem por contra própria e sem justificativa.
Nào há cristo, nem papa e muito menos messias algum que salvará os homens de sua própria incompetência.

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