sábado, 2 de junho de 2012

O que é essa coisa estranha e vulnerável que se esconde na humanidade?Essa vontade de ser superior, um desejo oculto de se sobrepor ao outro, de se considerar melhor à seu semelhante?

A evolução é um paradigma inviolável? Será que não é possível que tudo colapse e regresse a estados anteriores?
Num sistema auto-organizado, onde se escondem as mentiras? Onde se encontra o excesso de informação? Porque não é possível encontrar um equilíbrio humanitário?
Será que todo pensamento de alternativa é vão? Os homens vivem em busca de sonhos cada vez mais ousados, crendo num final superior, mas talvez só encontrem um abismo ensimesmado. E a fonte de seus problemas é a solução de seus estados, de suas nuances inferiores, sua inteligência incontida, não revelada; parte doutrinada de uma decisão esquecida. A vontade superior de um ser não é um espaço de fatos. É uma situação de dividendos, partes constituintes de um todo dado.
E para onde vão as perguntas numa época de respostas fáceis? É possível que os humanos encontrem a percepção de sua presença no universo antes de encontrar um fim em seus próprios méritos?
O hoje é uma questão presente: fora de nosso sistema o solar o tempo nosso é um dado atrasado. Cada ponto do universo vive um tempo próprio, uma velocidade de movimento e uma ocasião de estado. E dentro de si, cada ponto breve agrega uma existência única que se divide infinitamente assim como seu todo se multiplica infinitamente, alternando no tempo realidades que parecem sobrepostas, porém  uma análise mais profunda as mostra absolutamente diferentes.
E aí vem o espaço vazio entre um pensamento digressivo e a retomada da linha anterior. A mente é um rio que alimenta a falta que sentimos do mundo. Tudo é imaginação comparado ao real. Tampouco é a sensação que temos frente ao que percebemos. Nascemos e somos criados para pensar de acordo com padrões determinados. Modos específicos que se enquadram em padrões determinados socialmente. E descemos, após crescer, ao poço de nossos desejos, nossa fonte de bem-estar e somos impelidos a decidir entre a satisfação imediata ao sacrifício pelo presente que virá. Precisamos escolher e nossas vidas são determinadas por nossas escolhas. Nossos antepassados escolheram e suas escolhas influenciaram nas nossas. Não há como negar.
Todos sentimos o peso da decisão de um futuro onde os humanos serão o planeta, mas e a reação óbvia de um organismo que tenta sobreviver? As constantes repetições de fins apocalípticos à humanidade é um sinal claro de nossa obsessão pela morte?
A nossa vulnerabilidade nos deu um excesso de confiança em nossa própria existência, ou será que todos os agrupamentos humanos se crêem eternos?







sábado, 21 de maio de 2011

O tempo

O Tempo


O tempo de um dia
A espera de um novo acaso
O despertar dos sentidos
A intimidade dentro do quarto.

Cada coisa tem seu passo
Ritmo vivido pela ação.
O pulso da existência
Não tem pressa de chegar.
Chega e ali fica
Sem perguntar a si mesmo
Onde deve parar.

Vida recheada de momentos
Memórias sobrepostas
Em nossas mentes.
Cheiros vistos em nossas retinas
Sons espalhados em nosso tato.
Gostos, sons e palavras.
Tudo resumido num só sentido
Sem nome, calado.


A liberdade é tempo-espaço
Matéria transformada
Energia transmutada.
Fluidez do pensamento.

Não há hoje sem a percepção do passado.
Nem futuro sem o presente revelado.
Os dias que se sucedem não são mero acaso.
O mundo se constrói de pequenos momentos
E a confiança de gestos raros.

Sabedoria é conviver com o tempo
E dele não ser escravo.
Viver de forma presente
O corpo aqui e não ausente.
A vontade a nosso lado.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Eu me calo

Onde está o momento? Eu agora penso uma coisa e num instante penso em outra. Minha mente percorre um caminho browniano entre pensamentos e lembranças.
Cada faísca que ilumina um passado amargurado, carregado de sentimentos de repulsa a um mundo que sentia que me repulsava. Hoje vejo que talvez fosse tudo ilusão, porém não consigo deixar de lembrar muita coisa como pessoal. Parecia que todos queriam me apunhalar e ao mesmo tempo exibindo compaixão e vontade de estar perto. Eram sensações muito dúbias que tinha comigo naquela época de crescimento e onde cada pequena coisa se transformava em um mar de drama.
Acontece que de tudo isto que se passava e somado a um acordar de um deslumbre e perceber que em muitos momentos eu simplesmente não havia tomado decisão nenhuma e por covardia, me barrei frente aos medos e aos obstáculos.
Eu me calo na noite.
Eu me calo no dia.
Eu me calo para não ter de saber o que dizer.
Eu me calo pra não saber o que sonhar, pois sinto que nenhum sono hoje é genuíno. Tudo é fabricado.
Eu me calo por temer o futuro e a morte que ele me trará.
Eu me calo por achar que os problemas não tem mais solução.
Eu me calo por não me julgar forte o suficiente.
Eu me calo por não haver mais espaço em meu coração para o que virá.
Eu me calo por compaixão de quem tem que me ouvir.
Eu me calo.

domingo, 26 de dezembro de 2010

País do futuro

Este país de glória e carnaval
É país de Bethania, tião carreiro e gal.
Este país que não é normal
Tão corrupto e invicto
Cheio de sorriso
É sensacional.

Tem as praias mais perfeitas
As mulheres mais belas
Os homens mais astutos
E as mutretas mais velhas

Este pais de muito valor
Chão de canto e espaço
É fonte de amor que jorra
Árvore de frutos raros.

Onde se planta e se colhe
O sorriso de hoje e a tristeza de amanhã.
Nele não há tragédia sem luto.
Nem vitória sem clamor.

Aqui neste lugar charmoso
Onde o beijo é tragoso
E o sol escalda.
Eu sou menino alegre
Contente por ser-estar.

Hoje eu canto esta terra.
Meu espanto não é coisa velha
Hoje eu sonho esta pátria
Enquanto meu futuro não chega
Pra me acordar.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Hoje eu resolvi abraçar o descontentamento. Hoje eu acordei com a pá virada pros acontecimentos tão distantes do meu dia-a-dia que se repete continuamente na tela de uma tv velha.
Hoje eu sou tão vazio quanto ontem. Hoje a minha angústia pelo despertar é tão improdutiva quanto a que tive em tantos outros dias dessa existência arrastada.
Neste dia, primeiro de janeiro de mais um ano passageiro, sigo permanentemente esperando um momento de travessia para um paraíso eterno. Pura esperança utópica, pois dentro do peito, bate a certeza da intuição profunda da inexistência de um paraíso tão espetacular.
A realidade que criamos nos dias vivos permanece e nela é que reside a.....
Não sei como terminar essa frase.
Hoje é mais um dia iniciado pelo badalo do sino desta igreja e pela sina.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Ano Velho, novo, whatever

Todo dia 31 de dezembro desse calendário patético - conhecido como calendário gregoriano- bilhões de seres humanos celebram a passagem de um ano. Ano cristão, ano católico, ano capitalista, ano simbólico. Ano inútil.
A escolha de um ano , de um calendário, é algo totalmente arbitrário. O sol não muda de posição porque escolhemos um ano. As estrelas não se abalam porque um novo ano se passou. Jesus não vai renascer simplesmente porque arrancamos uma folha do calendário.
E no entanto, tudo se passa nessa noite. Todos os sentimentos mais profundos de redenção, renovação, avivamento e compaixão se manifestam neste fim de ano e neste período de festas cristãs.
Não acredito em nenhuma destas festas, são repetições da mesma tentativa católica hipócrita de reestabelecer o conceito da divindade manifestada na figura do cristo e no renascimento da esperança.
Esta esperança é vazia. Surge no momento da festa e desaparece tão logo a rotina do dia-a-dia das pessoas que trabalham e lutam pelo dinheiro, lhes retoma a atenção.
As pessoas que sustentam esse ritual são autômatas, desatentas ao raciocínio crítico da tradição e da escolha de hábitos condizentes com a verdade de seu tempo.
Cada tempo possui um conhecimento e uma certa dose de verdade alcançada pela pesquisa e pelo critério. No entanto, muitos seres humanos, coniventes com essas tradições submergem no apocalipse da submissão, à senhores ocultos nas máscaras do poder e de mídias negligentes.
O tempo passa, o tempo voa e cobra aqueles que se afinam diante da realidade implacável. Muitas pessoas preferem a obscuridade da ignorância passiva e do contentamento pago ao desafio incessante do conhecimento vivo e da realidade nua.
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O ser humano que vive sob o signo da passividade e da inutilidade, que se manifesta pela falta de vontade e de coragem de lutar pela mudança e pelo fortalecimento do espírito de aventura, é tão inútil quanto a sua credulidade.
Hoje, como ontem, o sol vai nascer, as ondas do mar vão quebrar na praia e os pássaros vão cantar no alvorescer. E não há fogos, champagnes ou crenças inúteis, que sejam capazes de justificar e potencializar as coisas tão importantes e tão capazes quanto àquelas que existem por contra própria e sem justificativa.
Nào há cristo, nem papa e muito menos messias algum que salvará os homens de sua própria incompetência.

domingo, 10 de maio de 2009

Burocracia: Grande esforço coletivo engengrado em instituições e recintos públicos afim de enrolar o máximo possível a dinâmica das relações humanas flexíveis. Rigidez cadavérica do pensamento e da liberdade. Formol de atolamento, é aplicado em doses cavalares na mente das pessoas.
Tal como erva daninha, cresce mais que chuchu na horta.